domingo, 21 de julho de 2013

Quantas vidas você tem? 'Pergunta idiota', você deve estar pensando....

Todo mundo tem apenas uma vida. Será? Quem garante que você já não andou por este mundo em outro corpo? Não, não estou falando de reencarnação. É outra coisa. Mil vidas.... sempre você é você. Em todas elas, você não deixa de ser você. Só que não lembra das outras vezes em que foi você.

Pense: Neste exato momento quem garante que não há uma espécie de 'universo paralelo' onde está acontecendo exatamente o que está acontecendo neste que seus olhos veem, que seus sentidos tem consciência? Que você pode tocar se estender a mão?

Sou um ser pensante....

Olho o horizonte, o dia se tornando noite, o céu azul se transformando em cinza. Astronomicamente falando o céu nunca é azul... é pura ilusão. O céu é negro.

Então, você ainda quer ir pro céu?

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Acho que o mundo é cheio de gente boa. Tem gente ruim também, é claro.

E o interessante é que sempre focamos no ruim. As notícias de catástrofes, de tragédias, de mortes pululam nos noticiários. É o que vende: o horror, a dor, o perturbador, o estranho em cada um de nós.

Atravessei a beira-mar, sentei num banquinho de madeira, abri o embrulho onde estava a pizza, respirei fundo, agradeci em pensamento ao bondoso rapaz da pizzaria... e comi.... e bebi.

Que refeição fantástica. Primeiro, deixa eu explicar que adoro pizza. Segundo, que eu adoro suco de laranja.

Meu momento presente foi um verdadeiro presente: tudo o que adoro pra comer e beber, mais a beleza do mar, o calor do sol - que estava fraquinho nessa hora. milhares de nuvens cobriam o céu... trariam chuva no fim da tarde, com certeza.

Depois me recostei no banco e tirei uma soneca. Ô vida boa...

Às 18 horas eu estava voltando pra casa - com o corpo doído, cansado; os braços ardendo queimados pelo sol de sábado... mas a mente levinha, levinha. Eu estava voltando pra minha outra vida - que por enquanto é ainda a de verdade.... mas eu já estava ficando diferente. Eu sentia isso, eu sabia...

Andarilha.... sou só de mentirinha.... por enquanto!

sábado, 13 de julho de 2013

Meu estômago roncou - Sinal de alerta.... sinal de fome!

Meu estômago não ronca com muita frequência, não. Não sofro de borborigmos... O ronco de meu estômago também não é um verdadeiro estrondo - como trovões atravessando a terra. Meu estômago rosna baixinho, baixinho... e apenas quando está muito vazio.

Fiquei embaraçada com o ronco de meu estômago? Não... havia poucas pessoas pelas ruas e, certamente, nenhuma delas estava preocupada com as contrações que aconteciam dentro de mim.

A cidade aos domingos está praticamente vazia de pessoas. Andei  da Catedral na direção da Beira-Mar e não encontrei nenhum local aberto onde eu pudesse comer. Meu plano era repetir a experiência de comer as sobras de alguém em alguma lanchonete, bar... sei lá, o que eu encontrasse.

Não encontrei nada. Segui o caminho, passei pela rua Esteves Junior e cheguei até à praça no fim da rua, bem em frente ao mar.

Sentei-me em um banco e fiquei a observar o cenário e tudo o que acontecia por ali. A bem da verdade pouca coisa acontecia. Só carros que trafegavam pela avenida... muitos.

Um homem alto, magro, quase sem cabelos e com um óculos exageradamente pesados para seu rosto tão fino passeava com um minúsculo cachorrinho - um belo Maltês bem branquinho.

A alegria do cachorrinho contrastava com a tristeza do homem... linguagem corporal (entendo muito sobre esse assunto). O homem em passos lentos atravessava a praça; o cachorrinho, agitado, corria um pouquinho, parava e olhava para seu dono com uma carinha de 'vamos, vamos lá... eu quero brincar.... quem sabe você me acompanha?'.

E o homem sequer mudava seu ar triste, pensativo. Parecia estar condenado a carregando o céu em seus ombros, exatamente como Atlas - um dos titãs gregos, condenado por Zeus a sustentar os céus para todo o sempre.

Lembrei-me do poema de Drummond (Os ombros suportam o mundo), ao olhar para aquele senhor taciturno. Definitivamente o homem estava num momento de não rir, não chorar, não amar, não sentir falta de nada... nem da morte. Viva! Isso é uma ordem! Era o imperativo, que mais se adequava a ele.
 
Uma moça seminua passou correndo, atravessou a avenida, quase causando um acidente. Dois motoristas idiotas esqueceram-se de que estavam ao volante e dirigiram sua atenção à bela mulher com um corpaço de tirar o fôlego de qualquer homem.
 
E ela não viu nada. Seguiu correndo indiferente ao que causava. Indiferente aos olhares que atraía.
 
Meus braços, principalmente meus ombros, doíam por causa da queimadura do sol do dia anterior. Meu estômago roncou um pouquinho mais alto - acredito que pra se fazer ouvir.
 
O que eu ainda tinha na mochila? Dois pacotinhos de Clube Social. Comi um e bebi os três goles de água que ainda restavam na minha garrafinha.
 
Enquanto comia me assaltou uma vontade enorme de uma comida quentinha: uma sopa - adoro sopa -, uma massa, uma pizza... Ah! Lembrei! 'Há uma Pizza Hut bem pertinho daqui'.
 
E foi pra lá que me dirigi. Entrei e pedi ao garçom se não havia uma sobrinha pra mim. Ele me olhou de cima a baixo, com um olhar que simplesmente não consegui decifrar se era de pena, ou de incompreensão, ou de irritação, ou, ainda, se era o olhar dele mesmo. Pediu que eu aguardasse do lado de fora.
 
Uns minutinhos depois, ele voltou com duas fatias de pizza embrulhadas e, pasme, com meia garrafinha de suco. Saí no lucro. Claro a pizza não estava quentinha, mas não estou em condições de reclamar, não é?
 

 




sexta-feira, 12 de julho de 2013

Perdida em meus pensamentos quando me dei por mim, estava nos degraus da Catedral. Imponente, como um Deus.

Sou agnóstica... estou exatamente no  meio termo sobre a existência ou não de divindades... não acredito, nem desacredito. Na verdade, pra mim, tanto faz como fez.

Mas a encantadora atmosfera de uma igreja toca em mim de alguma forma. Ao entrar nesses locais, envolve-me uma atmosfera com um aroma espiritual, um aroma de tranquilidade, de paz...ao mesmo tempo em que acontece um incrível distanciamento das coisas terrenas... dos emaranhados do mundo... dos ruídos da vida.

Estava aí em um desses momentos... sentia crescer uma estima por mim mesma... sentia um acréscimo de estima inexplicável pela humanidade que há em cada ser humano.

Assim, a vida poderia realmente ser interessante

Mas isso foi apenas por alguns minutos - do momento em que entrei na igreja, sentei em um dos bancos e fiquei olhando pro altar enfeitado demais pro meu gosto... ornado demais pra humildade pregada pela própria igreja. É muita ostentação!
 
O sol que brilhava com toda a sua força era mais convidativo... e eu saí.
 
Continuei andando pelas ruas da cidade... depois fui em direção à Beira-Mar. Outra vez.
 
Gosto do mar, da sua amplidão, dos seus segredos, da sua imensidão, do que ele esconde e do que ele revela.

sábado, 6 de julho de 2013

Céu e inferno

Depois de tomar meu cafezinho gratuito no supermercado, decidi andar pelo centro da cidade.

Saí caminhando devagarinho, fixei meu pensamento no aqui e agora. Olhei as casas, os edifícios um a um.. há alguns antigos, outros modernos. Um dos mais antigos - o Dias Velho, na Felipe Schmidt - é bem feinho, mas é forte.... já ouvi dizer que tem gente que não consegue nem pregar um prego na parede do seu apartamento.

O edifício tem o nome do fundador de Florianópolis - um bandeirante paulista, que mandou construir uma igreja lá onde hoje é a Catedral.

Não sou religiosa, não sou católica, não acredito em Deus, em Buda... em nenhum desses caras que ficaram famosos pregando sobre como salvar a própria alma, de como viver nesta vida - aceitando o próprio carma pra melhorar de alguma coisa errada que fez no passado. Não há céu, não há inferno. quando se morre, se morre e fim.

Muita gente já morreu... e ninguém ter voltado pra contar!? Duvido, certamente um Marx, um Hitler, um Nietzsche, um Jesus da vida teria dado um jeito de voltar e contar o que há do lado de lá. Eles não tinham ideias fantásticas quando estavam por aqui? Então... essas ideias sumiriam assim do nada... ah! algum deles, pelo menos, teria voltado. Pra confirmar suas próprias palavras

E se há mesmo céu e inferno - raciocine comigo -, uma mãe que chega a qualquer um desses lugares, conhecendo a vida que seu ou seus filho(s) leva(m) por estas bandas, ia ficar na boa, sem voltar pra dar uma sacudida no filho? Não, não e não.... não há céu e não há inferno, definitivamente.

Esta é uma das razões por que não quero filhos: se chegando do lado de lá eu comprovar que estava errada e não me for permitido voltar para alertar um filho que tenha ficado por aqui... eu cometo um assassinato do lado de lá. Sim, isso mesmo, mato quem não me permite voltar... e aí... bem e aí certamente deverá haver consequências drásticas para um assassino.

Então, melhor não arriscar - filhos!? That's why I tell myself... never, never and never filhos.

domingo, 23 de junho de 2013

Andarilhos são muitas vezes confundidos com loucos. Mas quem não é louco? Pelo menos um pouco? Pelo menos uma vez na vida qualquer um de nós agiu como um louco.

Afinal quem fixou os padrões da normalidade?

E exatamente o que é a normalidade? É ter uma casa para morar, comida na mesa, impostos pagos, salário mensal de um trabalho fixo - ou não tão fixo? É viver em uma comunidade? É ter uma família? É ter um tempo de lazer?

Ser normal é não viver na miséria? Então há muito mais anormais por aí do que podemos imaginar.

Eu acho a miséria degradante... jamais estarei entre os mendigos. Não abraçarei a miséria de jeito nenhum. Não andarei esfarrapada... Já usei as melhores marcas mundiais Hermès, Louis Viton, Armani, Burberry.... não me sentirei bem com farrapos. Mas as marcas que usei não me trouxeram felicidade, nem paz, nem vida harmoniosa. São as melhores marcas mundiais, mas não me dizem nada.

 Serei andarilha, sim... mas com dignidade... com toda a dignidade que o viver na rua pode me trazer.

Sairei pelo mundo, abandonando quem eu era - e sabendo que no momento que eu quiser posso voltar. Mas não será qualquer pedra no caminho que me fará desistir da minha empreitada...

Vou construir uma nova vida... vou juntar tijolo por tijolo.... pela marginal.

Psicose? E quem nunca teve uma ideia meio psicótica? Quem nunca quis matar alguém? Mesmo que em pensamento? Atire a primeira pedra quem nunca quis rasgar dinheiro... quebrar os padrões estabelecidos?

Ah! e psicose é considerado uma certa perda de contato com a realidade. E meu contato com a realidade é quase palpável... não há sequer uma desorganizaçãozinha de pensamentos, não há inquietude, nem angústia, nem opressão... meu comportamento não tem nada de bizarro.




quinta-feira, 20 de junho de 2013

Até o sol estar mais ou menos alto, fiquei ali naquele banco... a fome apertou.

Toda manhã, mas toda manhã mesmo, tomo duas xícaras de café, um pãozinho torradinho com manteiga e uma fatia de bolo. É uma das minhas rotinas.

E aí onde eu estava não havia café, não havia bolo... só um pãozinho amanhecido e água.

A vontade de café era simplesmente imensa... não sou viciada, não... Sei de gente que bebe café atrás de café o dia todo. Não é assim comigo... são apenas as duas xícaras ao acordar e fim. Mas estava me sentindo uma viciada em clínica de reabilitação: louca pela droga.

Como resolver?

Fui em direção a um supermercado que fica no centro, não muito longe de onde eu estava... Normalmente, nesses supermercados grandes há um lugar em que eles oferecem um cafezinho - propaganda.... marketing... :)

Lá consegui um copinho, mais um copinho, mais um copinho... até a moça olhar com uma cara feia pra mim e dizer: 'agora chega'. Não foram bem as duas xícaras costumeiras, mas quase cheguei lá...

Café pra hoje... OK!

Daí comi meu pão, que mais parecia uma borracha.. e nada de bolo.

Lembrete (mais um): mudar meus hábitos matinais... menos café... substituir por chá, suco, água... pro corpo aceitar qualquer um deles na boa... não torrar mais o pão - vai emborrachado mesmo... e eliminar o bolo - não consegui pensar em nada que pudesse substituí-lo (principalmente porque a pessoa que faz o bendito bolo não me acompanhará pela minha saída em busca de liberdade).

Oh! e escovar os dentes.... eu sabia que tinha mais uma coisa me incomodando... Como irei resolvr isso?

A cada instante vou me dando conta  de que viver é muito, mas muito complicado mesmo.
Não acredito em nada....mesmo!

O que é a religião?

Acho que existe um 'religião' que vem da família, dos antepassados... uma 'religião' que está no sangue. Esse tipo de religião, acho que muita gente tem... mas também acho que há muita gente que não tem... são os arreligiosos (não sei se existe esta palavra - mas a noção existe, com certeza). Há pessoas sem religião nenhuma... chegaram a este mundo sem nada e sairão dele sem nada também.

E acho que há uma religião 'imposta' pelo mais forte.  Um ensino religioso confessional, ecumênico e interconfessional, com objetivos fortíssimos para evangelização, catequese e pastoral . Um tipo de ensino que não se preocupa em abrir a mente das pessoas para o fenômeno religioso de um ponto de vista antropológico, que não está preocupado em esclarecer sobre a existência da diversidade.

Eu cheguei ao mundo com uma religião... mas fui mais forte e acabei com ela, muito antes que se tornasse um ópio. E fui mais forte ainda do que o mais forte dos mais fortes valores religiosos... nunca me deixei contaminar por nenhum deles.

E sabe por quê?

Há momentos na vida, há certas situações que religião nenhuma dá jeito. Quer alguns exemplos: navios negreiros... onde estavam os deuses desses negros? holocausto... onde estavam os deuses dos sofredores - de todos os lados (não falo só dos judeus, não)? a fome... os estupros... os loucos... as doenças...  as guerras... se houvesse um único deus para a cura de todos os males, eu acho que ele apareceria vez ou outra... que deus não gostaria de marcar presença em uma catástrofe e colocar milagrosamente tudo no lugar?

Não há nada com o que contar.... é você com você e salve-se quem puder. Pouco saudáveis são os que contam com o nada... há maior loucura do que isto: acreditar que existe um 'nada' que milagrosamente resolve os problemas pra você??

Tenha a santa paciência....

quarta-feira, 19 de junho de 2013


Não acredito em nada... Acho que por isso sou considerada uma pessoa pouco saudável. Psicólogos, psiquiatras, estudiosos e estudados, sábios e nem tão sábios dizem que acreditar é uma coisa bem saudável, bem legal.

Além de saudável pra mente, saudável pro corpo...tá bom... pode ser.

Mas já vi muita gente que acredita ser milagroso, diz ter poderes sobrenaturais rezando ou orando a um ser superior, sobrenatural... fazendo sacrifícios, carregando uma enorme cruz em nome de uma coisa chamada fé...

Há realmente muuuuiiiita gente que acredita ter dons sobrenaturais e é capaz de fazer milagres simplesmente falando... pobres tolos - isso é que não é ser nada saudável, isso sim.

Pra mim... acreditar é a mais pura balela.

O que é ser realmente saudável?

Estava sentada em um lugar lindo - se você conhece a beira-mar de Florianópolis, sabe que estou falando a verdade.

Sem preocupação nenhuma, vivendo exatamente o momento presente: olhando o horizonte, vendo surgir minúsculos sinais de luz... um pouquinho mais...mais um pouquinho... até ficar tudo luz... até acabar qualquer tipo de escuridão.

Tá bom, meu corpo doía... estava começando sentir fome e necessidade de encontrar um banheiro. Gente civilizada usa banheiro... Eu agi como os gatos....

Fora esses pequenos detalhes, eu estava muito bem... sem uma gota de álcool pra me sentir viva... e feliz... diferentemente do grupo de homens que bebia, falava com voz extremamente alta e ouvia um som ensurdecedor... que não sei como podem chamar de 'música'.

Diferentemente dos cuidadores do corpo que começavam a passar (nada contra, cuido do meu também)... caminhando a passos largos, correndo, de patins, de bicicleta...

Claro, não tenho a capacidade de ler mentes, mas consegui observar que nenhum deles observava o espetáculo da natureza: olhos fixos num ponto lá na frente ou no chão.... completamente alienados da beleza do mar, do céu, dos pássaros... da natureza. Bem coisa da natureza humana: distantes do seu presente.

E alguém que fotografava... batia fotos como um louco... como uma louca, melhor dizendo... a girl!

Por que as pessoas tiram fotos? Que coisa mais estúpida guardar um momento. Ninguém consegue guardar nenhum momento... momentos não se guardam, momentos se vivem e depois de vividos desaparecem.... puft!

Hoje, quando raiou a manhã, pela primeira vez eu senti que tinha conquistado o direito de ser um ser humano. Eu havia conquistado o direito de estar no mundo... Isso é ser saudável!

Eu consegui... eu havia decidido viver outra vida e havia dado o primeiro passo. Claro que eu vou voltar - muitas vezes - pra outra que ainda habita em mim. Mas, tudo bem... tudo bem porque eu acredito que a melhor liberdade é aquela que você conquista devagarinho, consciente de cada pedacinho que está deixando pra trás.... e sem, completamente sem, nenhuma pré-ocupação aprisionando sua mente.

sábado, 15 de junho de 2013

Fugi das baratas... e me lembrei de uma coisa: quase todo morador de rua, quase todo andarilho dorme em bancos... sempre vi isso. Por que não me dei conta disso antes? Não teria passado pela situação humilhante, nojenta de ter baratas passeando pelo meu corpo...

Uma vez fui a Buenos Aires... algumas avenidas lá são larguíssimas e entre elas há uma calçada ladeada de grama... lembro-me muito bem de ter visto muitos mendigos dormindo no chão... Agora pensando aqui, enquanto escrevo, foi um dos poucos lugares em que não os vi dormindo em bancos. Eu, com minha memória prodigiosa, não ter me dado conta disso... aff!!

Deitei no banco - duro, muito duro. Fiz um 'travesseiro' com minha mochila e tentei dormir mais um pouco. Não consegui. Meus pensamentos passavam por minha cabeça à velocidade da luz... mais rápido até... acho. Gostaria de parar de pensar um pouco. Mas essa é uma história muito conhecida minha... se estou acordada, penso e penso como uma louca... Dormir é bom... é muito bom.

Alguns baderneiros chegaram em quatro ou cinco carros... com o som ligado a todo o volume. Espantaram pra bem longe meu sono. Sentei-me no banco e esperei. Esperei o dia amanhecer naquele barulho ensurdecedor.

Um dos baderneiros, de cabelo grisalho, me viu e me ofereceu uma garrafa de cerveja. Agradeci educadamente: não bebo álcool... e ele sorriu.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Definitivamente comprovei pra mim mesma que o ser humano é um animal que consegue enganar a si mesmo...

Acho que eram umas 3 ou 4 horas da manhã. Meu corpo doía, meus braços ardiam, eu sentia frio... muito frio. E nem é inverno.

Cama: Ah! como é boa uma cama depois de um dia de muito trabalho... ou mesmo sem trabalho nenhum. "Cama" é um móvel feito para o repouso; a palavra 'cama' já era usado lá atrás, bem lá atrás, no latim, e significa: leito estreito e baixo... possivelmente de origem na Península Ibérica  (lá na Europa - bem coisa de primeiro mundo).

'Leito' = uma cama melhorzinha; a palavra 'leito' era usada pelos romanos 'lectus', que também significava 'caixão', onde se dorme pra sempre... :(

Mas não era só uma cama que eu queria.... um colchão também fazia falta: um macio e confortável colchão, palavra que vem do francês antigo culche, “cama”, derivado de coucher = dormir... (li tudo isso na internet).

Por que o ser humano precisa de conforto pra dormir bem?

Fico aqui pensando no tempo das cavernas. Não havia cama e o povo lá dormia muito bem, acho. Mas essa coisa de evolução... quem decidiu que tínhamos de dormir em algo macio? Pra mim isso não tem nada a ver com evolução... pura involução.

Tenho de colocar isto na minha listinha preparatória para ser uma 'andarilha': dormir em locais duros!

Veja que mudei o nome: estou me preparando para ser 'moradora de rua'.... você sempre leu isso. Mas, depois de pensar muito, decidi que a palavra 'andarilha' é mais chique... então daqui pra frente a palavra que usarei é 'andarilha'...

Dormi, no duro da areia mesmo. Fui acordada sentindo que algo passeava pelo meu rosto... Eu estava dormindo num dos lugares onde o metro quadrado é dos mais caros da Ilha de Santa Catarina... rodeada de baratas.

Tudo bem, que sou capaz de me enganar... ou melhor, ainda bem que tenho essa capacidade. Se eu não fosse capaz de me enganar o que faria com o meu presente? Como olharia para o meu futuro?

E os meus braços ardiam... tststs.... o sol... o sol se encarregou de cumprir sua missão: queimar.

Filtro solar.... deveria ser distribuído gratuitamente, como são os preservativos.
Os dramas humanos... isso é coisa universal.... e nada contingente.

Até hoje não conheci nenhuma pessoa que não tivesse atravessado tempestades em sua vida. Não conheci ninguém que não tivesse sido quebrado em mil pedaços nos terremotos que assolam a vida de cada um... mil vezes mil.

Às vezes, nem é uma tempestade muito forte.... é até fraquinha, mas nos encharca de tal maneira que levamos milhares de horas pra ficar sequinhos, sequinhos... tirar a roupa do varal e começar tudo de novo.

Às vezes é um terremotozinho de nada... mas dos abalos anteriores estamos ainda tontos, tentando nos equilibrar e nos refazer... e lá vai tudo por terra outra vez.... e nós, desesperados, à custa de muito sacrifício, vamos encaixando cada pedacinho no devido lugar. Só que, depois de tantas quedas, os pedacinhos estão tão tortinhos que não se encaixam com naturalidade, temos de forçar para que voltem e ocupem seus lugares.... e, enfim....

o que quero mesmo dizer é que depois de tantas quedas não conseguimos mais ver na vida um show... vemos somente tragédia.

E eu cansei dos dramas.... e, por isso, hoje saí de casa, abandonei a velha vida - com todos os seus dissabores, falta de cores... dores.

Hoje estou aqui recomeçando... e me dou conta de que eu mais queria mesmo era ter nascido tartaruga.... com a casa nas próprias costas e a mente destituída de complicações.

Ser gente é doído pra lá da conta. Só quem é 'doido da cabeça ou doente do pé' gosta de ser o ser que é.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Como é lindo aqui. Como é lindo o mar.

Tenho uma parte da tarde ainda para admirar a beleza do lugar. E é o que vou fazer.... sentar e admirar.

A maioria das coisas acontecem mesmo é na cabeça da gente. Larguei tudo pra trás - por dois dias é claro - e me sinto a pessoa mais leve do mundo.

O que mudou de ontem pra hoje? Visivelmente nada... saí de casa de manhã, fiquei sentada olhando o mar... e caminhei à beira mar. E só.

Minha cabeça está tão leve. É como se tivesse só o hoje. Não existiu o ontem e não haverá o amanhã.

Pensando bem, acho que faríamos muito bem se vivêssemos assim: o hoje - que é o que temos.

Sento, olho o mar, bebo dois golinhos de água e como uma maçã. A vida poderia se resumir a isso. Por que a complicamos tanto?

Comecei a pensar no que estaria fazendo se não tivesse decidido me aventurar e sair de casa: faxinando, lendo, escrevendo, assistindo à TV, trabalhando e trabalhando... fazendo mil coisas, menos vivendo.

Acho que cochilei... o sol está se pondo, o céu está pintado dos mais variados tons que vão de rosa clarinho a um vermelho fogo.

Começa a anoitecer. Ainda há muitas pessoas caminhando, correndo. O movimento de carros é intenso. Muito barulho.

Escureceu completamente... o movimento de pessoas devagarinho vai diminuindo... menos carros, menos carros... até quase apenas quatro ou cinco.

É madrugada, faz frio, não consigo dormir... o corpo todo dói. Definitivamente sinto falta de meu quarto.

Interessante... nunca tinha dado a ele o valor que merece... Parece que está certo quem disse que a gente só dá o verdadeiro valor às coisas quando as perde... Não que eu tenha perdido... sei exatamente onde meu quarto está e é pra lá que vou voltar....

Mas só amanhã.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

De que maneira nós chegamos ao conhecimento? Quais os caminhos que podemos tomar para conhecer algo? Bem, por tudo que li e estudei, posso dizer que podemos conhecer alguma coisa lendo, estudando... observando alguém ou conversando com esse alguém que tem o que queremos saber e, taambém, experienciando, por exemplo.

Morar na rua... é o meu único objetivo. Preciso aprender como. Decidi ir à biblioteca e procurar um manual que me ensinasse como se faz... não encontrei nada; procurei no Google - sim, sou uma pessoa que usa o Google. Nada, também.

Então, decidi que preciso, ou observar moradores de rua, ou conversar com eles...ou passar pela experiência.

Observar moradores de rua acho meio invasivo, mas... vou ser bem discreta...ah! e vou usar óculos escuros. Você sabia que óculos escuros são ótimos pra um monte de coisas? São sim... e uma delas é observar sem deixar que a pessoa perceba que está sendo observada.

Já disse, no comecinho da minha história, que só conheci uma família de rua... aprendi muito com essa família; também já observei - bem de longe - alguns moradores de rua... andarilhos. Devagarinho vou contando o que me ensinaram.

Hoje estou aprendendo pela experiência. Algumas coisinhas novas já aprendi.

Estou na beira-mar... indo na direção do Trapiche. Vou seguindo entre céu e mar de um lado...do outro edifícios chiquérrimos caríssimos, automóveis - ainda não como os de primeiro mundo - e gente... gente e gente.

E nenhum morador de rua, nenhum... nem do lado de cá, nem do lado de lá. Só há um tipo de gente: bonita, sarada, bem cuidada. E eu... não que até o momento não tenha todas as características que acabei de listar; modéstia à parte sou bonita, sarada e bem cuidada. E, como eles, estava no meu habitat.

Fui olhando tudo e todos e percebendo como será difícil largar tudo, deixar pra trás o meu habitat.

Desisto? Persisto? Qual será o risco?

Cheguei ao Trapiche...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Quem foi que disse que o melhor lugar do mundo é o aqui e o agora? Gilberto Gil..claro.

Acordei... não sei quanto tempo dormi. Também não importa o tempo.

Abri os olhos... levei uns segundinhos para me dar conta de onde eu estava. Que sensação maravilhosa... sem compromisso, sem horários, sem a cabeça cheia de coisas por fazer.

Naquele momento, eu só tinha o aqui e o agora. Mas nem tudo são flores, desculpe-me a frase feita.

Ao me mover, senti dor no corpo, claro... o que eu esperava? Tinha dormido meio torta embaixo de uma árvore, no chão duro.

Vontade de ir ao banheiro... E agora? Não estou em minha casa confortavelmente instalada. Optei por treinar morar na rua... 'se vira', pensei.

Então me levantei, me espreguicei e pensei: 'Bom... aí está um barzinho, tem de ter um banheiro'. Claro sempre tem. Só preciso de coragem pra entrar.

Coragem? Sim, coragem. Não sei com que olhos os donos de bar veem os moradores de rua entrar e se dirigir ao banheiro... não pode ser com bons olhos... descabelados, sujos, maltrapilhos.

Bem, mas eu não era (ainda) uma típica moradora de rua. Descabelada? Sim. Passei a mão pelos cabelos, procurando ajeitá-los. Suja? Não... estava limpinha - era meu primeiro dia na rua. Maltrapilha? De jeito nenhum.

Então, é só entrar. Fui até à porta, olhei pra dentro e, identificado onde era o banheiro, entrei. Não fiz contato visual com ninguém. O coração batia acelerado - como se eu estivesse fazendo algo de errado.

Mas não havia nada de errado em entrar no banheiro. Ufa... problema resolvido, saí... e pronto.

Fome...

Comecei a andar na direção do trapiche. Admirando o mar, tentando deixar meus pensamentos no meu aqui e agora. Confesso que tive uns 70% de sucesso.

Antes de chegar ao trapiche, passei pelo Mcdonald's. Decidi fazer uma experiência:

a) Estava com fome.

b) Mcdonald's serve lanche.

c) Às vezes, as pessoas não conseguem comer todo o lanche.

d) Às vezes, as pessoas se esquecem de levar a bandeja até o aparador/lixeiro.

e) Quem sabe eu tenho sorte?

Depois de ficar um tempão só cuidando se isso que enumerei realmente acontecia... aconteceu.

Fui rápida, muito rápida: meio hambúrguer, um restinho de batata frita e meio copo de suco - perfeito!

Não, nem tão perfeito assim, não. Precisei fazer um esforço pra não pensar e comer como se ninguém ainda tivesse tocado na comida. Mas consegui...

Acho que estou indo bem.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Um divisor de águas... perdoe-me a pobre analogia.

Mas a verdade mais verdadeira é que esta manhã, este dia divide minha vida entre antes de ser moradora de rua e depois de ser moradora de rua.

Uma manhã em frente ao mar obviamente não caracteriza ningué como morador de rua. Muita gente passa manhãs inteiras de frente pro mar, dias inteiros até... mas não é considerada moradora de rua. Mesmo eu... que ficarei apenas um fim de semana inteirinho fora de casa ainda não posso ser denominada uma real. verdadeira moradora de rua.

Este fim de semana é um prelúdio, um primeiro passo, apenas.

Amanhã à noite vou voltar pra casa e continuar minha vida normal de não moradora de rua... já falei que vou acostumar meu corpo aos poucos com a nova realidade que decidi pra mim.

Enfim o que quero dizer é que as coisas são na nossa cabeça. A felicidade está na nossa cabeça ou não.. concorda? Ou você já viu a felicidade andando por aí. A felicidade é um estado de espírito... es-ta-do  de es-pí-ri-to, entendeu?

Da mesma forma sentir liberdade é coisa da cabeça da gente.

E é isto que senti hoje: liberdade... do tamanho do mundo, que gira me carregando com ele.

Já deve ser meio-dia... ou quem sabe um pouco mais. Fiquei perdida em meus pensamentos azuis que perdi a noção do tempo. Não comi nem bebi nada desde o meu café da manhã. Minha barriga roncou ao sentir um cheirinho de comida no ar... hora de comer meu lanche: pão com geleia de morango - minha preferida - e duas bananas; meia garrafinha de água e um chocolate.

Saí de frente do mar, do sol escaldante e me recostei no barzinho na sombra de uma arvorezinha, olhando o movimento de carros... movimento desenfreado de lá pra cá de cá pra lá. Foram 1.437 carros até eu fechar os olhos e adormecer.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Em frente ao mar.

Simplesmente me concentrei no balanço das águas, no barulho fraquinho das pequeníssimas ondas batendo nas pedras.... são ondinhas, apenas... então é um barulhinho bem fraquinho... que se misturou ao dos carros passando velozmente pela beira-mar... à voz das pessoas que passavam em sua caminhada habitual... e ao canto suave de alguns passarinhos que de quando em quando vinham checar se estava tudo bem.

Acho que é isto mesmo que os passarinhos fazem: checam se está tudo bem... porque se não está, eles voam rapidinho pros seus ninhos.

E nesse olhar o balanço do mar, deixei minha mente se encher do azul que nele refletia.

Você tem ideia de há quanto tempo não deixo a minha mente apenas receber a cor azul? E apenas os sons que listei logo ali atrás? E de apenas do cheiro de mar?

Tudo bem houve outros cheiros também, mas deixei-os ficar em segundo plano.

Um único cheiro forte que me impregnou profundamente foi o do mangue por onde passei antes de chegar e parar um pouquinho depois da Ponta do Coral. Mas dei menos importância a ele, uma vez que estou decidida a apenas ver o lado bom, cheiroso, perfumoso da vida... pelo menos hoje.

Lembro-me de tudo - ja falei isso - nos mais pequenos detalhes há um bocado de tempo. Então minha mente fervivlha e fervilha muito. Ela estava precisando dessa tranquilidade proporcionada pelo azul do céu refletido no mar. E foi nisso que foquei minha atenção dirigida.... a periférica, obviamente, captou outras coisas... coisas sem a menor importância.

Todo mundo precisa de férias de vez em quando. E eu me dei uma manhã todinha de férias, de frente pro mar, sentindo o sol no meu rosto, no meu corpo (confesso que o moleton não foi uma boa ideia... mas a regata fininha compensou)... os pés diretamente na natureza: uma grama verdinha, verdinha.

Essa linda manhã foi um divisor de águas pra minha mente. Prometi a mim mesma que repetirei a experiência até que se torne o habitual, o natural... Só quero na minha mente a cor azul e os cheiros e sons da natureza.

E eu ainda vou chegar a algum lugar - e ficar de férias - onde não haja barulho de (in)civilização... ah! se vou...

Enquanto isso continuo a minha vida na sua normalidade completamente vulnerável.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Quem é você? Você não... eu... quem sou eu?

Essa pergunta me persegue. Normalmente respondo: sou filha do ....; a irmã da....; sou a.... que trabalha na ...; dependendo de quem pergunta.

Acho, acho não, tenho certeza de que quando alguém pergunta 'quem é você?' nunca está se referindo a mim mesma, como pessoa, como um ser humano que caiu sem paraquedas neste mundo loko. Porque é um mundo louco, sim... não me venham dizer que sou eu a louca. Porque sou diferente, ajo diferente. Diferente do quê? De quem?

Porque resolvi 'fugir' de casa, porque hoje coloquei uma mochila nas costa e às 8 horas da manhã, com o sol já bem acima da linha do horizonte, estou sentada na beira do mar... na Baía Norte, em frente a um local bem conhecido, bem frequentado, chamado Koxixos, estou sentada, olhando o mar, só olhando o mar.

Você já tentou isso? Você já abandonou tudo como eu (por um pouquinho de tempo, só relembrando) e decidiu vagar pelo mundo... e começou o seu vagar com uma manhã inteira só olhando o mar? Já fez isso? Não? Não sabe o que está perdendo.

Ao meio-dia, eu ainda estava no mesmo lugar.... tudo flutuava, até as lindas nuvens branquinhas que apareceram pra me fazer companhia.

E eu lembrei de Alice no País das Maravilhas e da lagarta sussurando no ouvido dela: “Quem é você?”
 'Não era uma maneira encorajadora de iniciar uma conversa. Alice retrucou, bastante timidamente: “Eu — eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento — pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então.”'

Eu, como Alice, tenho mudado muitas vezes desde o momento em que hoje fechei silenciosamente uma porta atrás de mim...

quarta-feira, 15 de maio de 2013

De um lado da avenida que lá na frente se transforma na beira-mar, há uma escola, um local de amantes de passarinhos, um órgão público, um condomínio, mais um condomínio.... prédios... terrenos baldios... prédios... e segue assim até o fim.

Do outro, primeiro um Shopping - imenso - e acaba aí vestígios de civilização. O mangue - se procurar vai encontrar vestígios de incivilização lá. E o mar.... bendito mar... até o fim. Um oceano no meio.

Claro que optei em ir pelo lado direito, o lado do verde, do azul. Há partes em que o cheiro não é nada agradável... mas estou me concentrando só no que é bom, no que é belo. Então nessas partes de cheiro ruim, tranquei o nariz.

Admiro quem acorda cedo pra se exercitar... eu sou da noite, já falei gosto de andar à noite. E as pessoas sorriam, diziam 'bom-dia'... e seguiam. Gosto disso: quando um desconhecido olha pra você, sorri e cumprimenta. É coisa de gente civilizada.

Eu sou civilizada... civilizadíssima por sinal. Você vai perceber no decorrer da minha história, ou se cruzar por mim pelas ruas de Florianópolis por agora... ou pelas ruas do mundo... mais lá na frente. No futuro.

O que é o futuro? Você já se perguntou? Quando comecei a escrever esta frase - quando fiz a primeira pergunta - era o meu presente... que logo virou passado. A segunda frase era meu futuro, que virou presente no momento em que comecei a digitar... e agora já é passado. Coisa muito louca isso do tempo.

Eu queria segurar o tempo... não, na verdade, eu queria olhar lá de cima e ver a vida de cada um em uma linha reta. Eu, de um poto fixo, olharia a vida de cada um sempre no momento presente... você entendeu o que eu quis dizer? Tudo bem, se não entendeu.... certas coisas não são pra entender mesmo.

A minha cabeça hoje está leve, enquanto ando em direção ao meu futuro... mas vou devagarinho, não quero dar um susto em mim. Quero me acostumar sem choque, não quero mal à minha pessoa.

Acho que você deve estar se perguntando como vou faze em relação à minha família. Se vou contar de meus planos? O que vou inventar? Ou se vou dizer a mais pura verdade?

Já decidi o que vou fazer com minha família - que é bem pequenininha. E como o que vou fazer só interessa a mim, não vou escrever aqui....

Não, não adianta insistir... O que seria da vida sem um pouco de mistério!?

sábado, 11 de maio de 2013

Não, claro que não. Pelo menos não agora.... apenas a duzentos metros de casa. Decidi não pensar que eu estava finalmente 'fugindo de casa', 'abandonando a segurança de quatro paredes', 'deixando tudo pra trás'. Decidi não pensar no que perdia e me concentrei no que estava ganhando: liberdade!

Fixei minha atenção aos sons da manhã. Primeiros ônibus... poucos, nos sábados sempre há menos; alguns automóveis, passando velozmente - pressa, sempre a pressa de chegar a algum lugar; e galos cantando. Sim, alguns galos cantam em Florianópolis (falo isso porque acho que galo é coisa de cidade do interior). Começam às quatro da manhã e às seis - hora que estou relatando - ainda ouço alguns quiriquiquis. Ah! e cachorros... como há cachorros nesta cidade e como latem. São os mais barulhentos, latem de dia, latem de noite, latem quando as pessoas passam pelo portão das casas... latem... pelo simples prazer de latir.

Você já se perguntou se os cachorros 'conversam entre si'? Se os latidos significam algo mais que simples latidos? Li recentemente que algumas pesquisas chegaram à conclusão de que existem três tipos de latidos - eu já tinha percebido que há latidos diferentes e muito antes da ciência - e, pasme, os cães podem, sim, tentar se comunicar com seus donos. Cães e homens conversando (bom, se cães podem, é bem provável que outros animais também possam).

Os quiriquiquis querem dizer: hora de acordar! hora de acordar! ?? Não sei...

O antropólogo que estudou e descobriu que os cães podem interagir com seus donos diz que os milhares de anos de interação  "com os humanos levaram ao desenvolvimento de três grandes grupos de latidos: os de alerta, os para chamar a atenção e os para brincar". Gostei disso, vou me aprofundar no estudo das habilidades comunicativas do cão... um dia. Gosto de projetos, gosto de planos.... me dão a sensação de que tenho muuuuiiiiita vida pela frente. Um dia vou estudar sobre a evolução dos cães... não, não, não acredito no evolucionismo.

Como tenho a beira-mar ali à frente esperando por mim....

Também me concentrei nas cores.... no ar da manhã... nos pássaros - outra coisa que tem de montão por aqui.

E nas pessoas... poucas, mas todas ou correndo, ou caminhando, ou andando de bicicleta na beira-mar.

Meu Deus... ninguém trabalha nesta cidade? Apenas as duas garotas do posto de gasolina?